(Resenha) Sob do signo de Escorpião

Adivinha quem voltou a ser assunto do Blog? Ela mesma: Fernanda W. Borges, que já foi Fernanda Borges, e que está lançando seu terceiro livro de uma série neo-noir deliciosa. Sob o signo de Escorpião é mais um lacre dessa louca escritora de thrillers policiais.


Capa - Sob o Signo EscorpiãoNa turística Búzios do Réveillon de 2013, duas mulheres são encontradas mortas em uma mansão sob circunstâncias misteriosas. Os inspetores Douglas e Renato são designados para o caso e, enquanto o primeiro precisa enfrentar seu passado e seu receio de reencontrar Daniela Vidal, o outro faz o que pode para não cometer os mesmos erros de seu parceiro.

Femmes fatales se enfrentam e, como em um jogo de xadrez, somente uma rainha poderá restar em pé quando certa organização ressurgir das cinzas e incitar a luta por um novo líder.

Mais noir do que nunca, Sob o Signo de Escorpião – Parte 1 traz de volta personagens já conhecidos do leitor, como Daniela Vidal, de Orgasmos Fatais, e Laura Montenegro, de O Reverso do Destino, que — tendo inimigos em comum — se unem para levar adiante suas vinganças.

Neste thriller emocionante, que mistura assassinato, sadomasoquismo, sexo e drogas, Fernanda W. Borges nos apresenta a mais um de seus jogos policiais, em que a justiça nem sempre tem a ver com o cumprimento inequívoco da lei.


Fernanda W. Borges

1555384_224450807742296_1760895626_nEstamos num ponto de relacionamento com esta escritora, que já começam a ficar suspeitas as resenhas, porque o leitor olha e pensa: “Vão babar o ovo da Fernanda de novo…”

Mas, sério…Que culpa nós temos se a mulher é fera?

Então a gente vai continuar falando bem, até pra poder continuar lendo os livros dela em primeira mão.

Isso mesmo! Morram de inveja! Lemos antes de todo mundo…

A gente sêmo ispeciau!

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Fernanda escreve thrillers policias do gênero neo-noir. Se a gente não explicou antes, noir é um gênero de ficção cuja característica principal é a não idealização das figuras de autoridade. Os policiais, detetives, heróis, mostram seu lado humano e falho. Seus vícios, seus desvios de comportamento, aquela partezinha especial que prova que é humano. Fernanda consegue fazer isso perfeitamente. Tão perfeitamente que não é raro nos perguntarmos se aquele herói é mesmo um herói, ou nos colocarmos no lugar do vilão. São todos humanos que erram e acertam, mas alguns têm a difícil missão de fazer cumprir a lei, mesmo que a lei nem sempre signifique justiça.


A história

A última resenha de um livro da Fernanda, quem escreveu foi a Betti, e foi de O Reverso do Destino. A história foi tão louca e cheia de saltos que ela não conseguiu contar, precisou usar emoticons. Agora a mocinha tá importante demais (cof, cof) pra escrever pro blog, e me passou a árdua missão.

Eu disse pra mim mesma: “Detona, Sônia!”

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Sentei na frente do computador e… cri… cri.. cri…

Não dá!

Não dá pra falar da história sem dar spoiler. Muitos, muitos, spoilers. Principalmente dos dois primeiros volumes da série.

Mas… como eu me recuso a usar emoticons e não sei colocar gifs no post (AHAHAHAHAHAHA) vou tentar contar um tiquinho do que o leitor vai ver.

Sob o Signo de Escorpião começa contando um pouco da infância de Daniela Vidal e de Laura Montenegro, as mulheres fortes dos dois primeiros livros da série. E quando eu digo “contando a infância”, eu digo “contando a infância do jeito que Fernanda W. Borges conta uma infância. Gente morre, gente se droga, ninguém sabe como nem porquê até que ela queria que a gente saiba.

Quando a história chega ao tempo presente, poucas páginas depois, ela se ambienta em Búzios, durante o Reveillon, e já começa uma dupla de lésbicas em uma transa quente em que as duas acabam mortas. Este é o crime que os já conhecidos Douglas e Renato irão investigar.

A partir daí toda uma sequência de eventos é desencadeada e muitos outros crimes são cometidos e muitos núcleos de personagens são movimentados.

Em alguns momentos parece que nada faz sentido, que você vai enlouquecer tentando desvendar o mistério, tentando solucionar os crimes, tentando descobrir o culpado, mas acredite: no final, tudo faz sentido.

Tudo faz sentido.

Mesmo que carros tenham explodido, mulheres tenham apanhado, crianças pareçam psicopatas, pessoas voltem do reino dos mortos, homens poderosos afirmem sua autoridade, e etc., etc., etc…., no final, tudo faz sentido.


Fazendo suspense

Estávamos debatendo outro dia e concordamos em uma coisa: os livros da Fernanda são realmente bons. Têm muita ação, têm aquele mistério todo cujas peças vão se encaixando aos poucos. Às vezes até parecem que já se encaixaram, mas o leitor se obriga a recomeçar todo o quebra-cabeça.

Mas entender o quanto o livro foi bem escrito, é na segunda leitura que se consegue. Na primeira leitura você devora, você só quer saber de descobrir o que aconteceu, de ver o fechamento, de conhecer o mistério. Na segunda leitura, é que se percebe a genialidade da coisa, é que se vê cada pista jogada pela escritora para que o leitor, por ele mesmo, consiga desvendar o mistério.

É na segunda leitura que a gente olha e pensa: “Por que foi que não percebi isso?”

Acredite: se você gosta de Agatha Christie, vai gostar de Fernanda W. Borges.


Dica do LeVo

Não leia Sob o Signo de Escorpião antes de ler os dois primeiros livros da série: Orgasmos Fatais e O Reverso do Destino.

Não é que a leitura seja impossível (nós fizemos o teste), mas certamente você vai ficar boiando (ainda se fala isso?) em alguns momentos, além de se frustrar se, mais tarde, quiser ler os outros livros.

O Leitor Voraz Adverte_thumb[2]_thumb[2]

Onde Comprar

11024766_844001528976491_6840433292933597994_nPor enquanto, só na Bienal do Rio 2017. (Eu disse que a gente leu antes de todo mundo!)

A autora vai estar lá no dia 07 de setembro conversando com a a galera e autografando este e outros livros de sua autoria.

Depois da Bienal, poderá ser adquirido online pelo site da Livraria Drago.

Quer saber mais sobre a autora e bater um papo legal com ela sem ter que ir até o Rio de Janeiro para a Bienal? Siga a página no Facebook.


Leia também:

(Resenha) Orgasmos Fatais

(Resenha) O Reverso do Destino



(Resenha) Nem só de pão

Tenho cinco anos. Estamos indo para o BRASIL!

O navio é tão grande! É como uma grande casa, enorme, sobre a água. Tem um cheiro completamente diferente das casas na terra: uma mistura de óleo diesel — explicou-me meu pai —, mais um cheiro de tinta fresca, mais cheiro de comida em alguns horários e lugares. Além disso, os sons são diferentes, meio ocos. As janelas, que chamam de escotilhas, são totalmente fechadas. De todos os lugares, avistamos somente mar. Mar por todos os lados. Mar que muda de cor, como uma pessoa de humor.


Capa - Nem só de PãoQuando foi assinada a Paz, dando fim à Segunda Guerra, a Europa e os aliados se depararam com um problema: o grande número de refugiados dos países soviéticos que não queriam voltar para lá e não tinham para onde ir. Os aliados — americanos, ingleses e franceses — decidiram então reunir toda essa gente num mesmo lugar. Foram assim criados, na Alemanha, os campos para refugiados.

Foi criada uma comissão internacional para realocar os fugitivos da União Soviética. Vários países se prontificaram em receber certo número deles, como a Austrália, a África do Sul, a Argentina, o Brasil...


Momento Confissão:

Vou confessar que: livros com a temática Segunda Guerra Mundial não são os meus preferidos. Não é uma parte da história que me faça bem saber a respeito. Sempre me incomoda. Além disso, literariamente falando, a maioria dos livros sobre o assunto são muito parecidos. Hitler era mau, os judeus sofreram nos campos de concentração, houve uma boa alma que salvou uma grande parte, etc., etc.. Não me entendam mal, não é que queria ignorar tudo o que a história nos ensina, é só que já li isso tudo antes.  Quero alguma coisa diferente.

Nem só de pão traz esse diferente.

Ao invés de se focar nos Campos de Concentração, o livro mostra o lado dos Campos de Refugiados e, aqui, não estamos falando necessariamente dos judeus.

Mostra com crueza e com um realismo doloroso a situação de um clã que precisou deixar a União Soviética para fugir do domínio Nazista e acabou parando aqui neste nosso país quente e cheio de cores.


O que o livro tem de bom

A história é contada sob a ótica da filha mais nova da família. Carrega aquela mistura de impressões que a criança tem, cheia de esperança, amor e ingenuidade, misturada com depoimentos que colheu dos familiares e que estão carregados de dor, saudade e revolta.

Essa mistura de sensações e de sentimentos provoca saltos de humor durante a leitura, em o leitor é transportado da mais pura e sincera alegria, ao mais cruel e doloroso sofrimento entre uma página e outra.

As cenas são descritas com tanta emoção que quase se sente o frio do inverno russo durante a fuga, ou o cheiro adocicado das bananas quando finalmente chegam ao Brasil.


O que o livro tem de insanamente bom

imageA descrição dos personagens. Não sei se posso chamar de personagens, já que estamos falando sobre um livro de não-ficção, mas, afinal, nesta vida somos todos personagens. Não somos? Os que protagonizaram essa fuga foram muito bem descritos pela criança que fugiu com eles e pela mulher que escreveu o livro.

Natalia Plonski põe os personagens no papel, apresenta-os, faze-nos conhecê-los, nos apaixonarmos por eles, e depois conta sua história. A história de alguém que sentimos que conhecemos, e por isso conseguimos nos alegrar ou sofrer com eles.


O que não é tão bom

Ah! Sério? A quem estamos querendo enganar? Amei o livro inteiro! Estou chorando enquanto escrevo sobre ele. Queria ser capaz de contar tudo o que li, e dizer exatamente o que senti, porque me tocou imensamente.

Vai levar o selo Ressaca Literária do blog, porque é um daqueles livros que ficam na gente depois da leitura.


Nem só de pão viverá o homem

Ler Nem só de pão foi catártico. Até certo ponto e por um breve momento, transformador. Faz pensar em como o fio da vida estica, embaraça, se liberta e volta a se encher de nós. Nós apertados. Nós de marinheiro. Nós que parecem impossíveis de desatar.

Um dia, você é o chefe de uma família abastada, culta e influente, proprietária de terras, respeitada. No dia seguinte está fugindo pelo inverno gelado, vendo sua família se separar, perdendo aqueles a quem ama. Mais tarde, acaba em um país diferente, com uma cultura diferente, em que você não conhece nem ao menos o idioma.

Suas palavras não são mais ouvidas ou respeitadas. As pessoas te olham pelo canto do olho, às vezes te tomam por um estorvo. Não têm qualquer conhecimento da tua história, do teu caráter, dos sacrifícios que fizeste para estar ali, cuidando do que restou da tua família.

Ler Nem só de pão, me fez olhar para minha filha de doze anos e agradecer ao Senhor por ter me concedido a graça de ter nascido numa época melhor, num país que não foi afetado pelos horrores da guerra, por eu não precisar ver a minha menina passar pelos infortúnios por que passou Ada, a irmão de Natalia.

Ler Nem só de pão, me fez agradecer mais intensamente cada prato de comida quente que sou capaz de colocar sobre a mesa e, por aquele breve momento de gratidão, eu consegui estender minha empatia e minha prece de proteção e agradecimento a cada homem, mulher e criança que ainda vive os horrores de outras guerras ao redor do planeta.

Essa é uma força poderosa!


O Leitor Voraz Adverte_thumb[2]


Onde comprar

Nem só de pão é novinho em folha e será lançado na Bienal do Rio dia 07 de setembro, das 18:00 às 20:00 h.

Não estou recebendo dinheiro por esse merchan!

11024766_844001528976491_6840433292933597994_nPode ser adquirido no site da Livraria da Drago Editorial. Se ainda não estiver disponível para venda, manda um e-mail para o SAC deles. São muito atenciosos.

Para os entusiastas de e-book, ainda não está disponível para venda, mas avisamos aqui quando estiver.


Quer ter seu livro resenhado pelo LeVo?

Leia o Termo de Condições de Uso do Blog e mande o seu PDF pra gente. Mas não esqueça: lemos de tudo, mas não somos obrigados a gostar de tudo o que lemos. Nossas resenhas são expressão de nossa mais pura verdade pessoal.

(Resenha) Duas Vidas: Encontro

Duas Vidas: Encontro é uma dessas coisas maravilhosas que a atual literatura nacional tem produzido. Existem livros que a gente lê, e esquece; e existem livros que te fazem viajar e entram na tua corrente sanguínea. Duas Vidas é da segunda categoria.


“Isabel é independente, despachada, não sabe se acredita em Deus e tem uma boca muito suja. O tipo de mulher que Rogério sempre desprezou; Rogério é o típico bom-moço, evangélico, de família, e até um tanto machista. O tipo de homem que Isabel nunca respeitou.
Mesmo com tantas diferenças, a cada passo que davam na direção contrária do outro, as forças invisíveis do destino os empurrava de volta."

Momento confissão: Vou confessar que estou com esse livro há quase um ano e eu tava com um pouquinho de medo de ler.

Por quê?

Porque aqui no blog a gente lê de tudo, mas não é obrigado a gostar de tudo o que lê, e a escritora desse romance é, não só minha conhecida, mas uma amiga. Então tem aquele momento tenso em que você olha para a capa da coisa e pensa: e se for ruim? E se for, tipo, muito ruim? O que eu faço?

Alguns dos leitores do blog também a conhecem: em tempos mais felizes ela já escreveu para o LeVo: B. Pellizzer é o nome literário da Betti Ferreira. Um deles, pelo menos.

O que eu sempre gostei na Betti é que ela é escritora por profissão, não se considera uma artista das letras, ela escreve e encara isso como um trabalho e, como com qualquer trabalho, faz com profissionalismo, então eu nunca tive problema para criticar o trabalho dela, quando solicitado exceto com este título, porque, desde a primeira vez que ela me falou sobre Duas Vidas, era como se estivesse falando de um filho, e por isso, meu medo sobre esse trabalho específico.

Então ontem foi meu primeiro dia de férias no meu trabalho remunerado (surpresa: blogs não enchem barriga!) e eu pensei: “Seja homem, Sônia!”.
Liguei meu tablet e…
….
...

Bem, a versão física de Duas Vidas tem 615 páginas e eu estou aqui digitando a resenha menos de vinte e quatro horas depois de iniciar a leitura. Tirem sua próprias conclusões.

Eu comi com o tablet na mão.

Eu fui ao banheiro com o tablet na mão.

Eu li enquanto a bateria recarregava.

O pouco que dormi eu sonhei com Isabel e Rogério, então eu tomei o café da manhã com o tablet na mão.

Vou até inaugurar uma seção nova aqui no LeVo chamada Ressaca Literária que é praqueles livros, como Duas Vidas, que continuam na gente depois que a gente termina. Eu estou com uma saudade tão grande dos personagens que é como seu eu os conhecesse pessoalmente e eles fossem meus melhores amigos. Você, viciado em livros, sabe do que eu tô falando, não sabe?

A sinopse que tá no começo da resenha, eu tirei da página do livro na Amazon. Não diz muita coisa e não chega a empolgar, né? Então deixa eu falar mais dessa história:
Isabel é uma daquelas moças populares que está sempre alegre e que tem um monte de amigos homens, sabe o tipo? Ela tá acostumada a ser livre, conversar com quem quiser, gosta de um palavrão, e é dona do próprio nariz.

Rogério é aquele crente certinho. Vai à igreja todas as semanas, ora antes de dormir e em todas as refeições, espera que a mulher escolhida por ele para ser sua esposa seja bela, recatada e do lar (Marcela Temer’s vibe), e totalmente submissa às vontades do marido.

Ela queria ser livre; ele não tinha a menor ideia de como viver sem estar preso a algum compromisso.

Ela terminou um noivado três dias antes do casamento e foi até uma discoteca pra se divertir. Tinha prometido a si mesma não namorar por um bom tempo (famosas últimas palavras); Ele tinha a mesma namorada há quatro anos e estava sendo pressionado a se casar, mas  não queria se casar com uma namorada com quem tinha estado toda a vida sem saber o que mais o mundo tinha a o oferecer então, escondido do família, foi à mesma discoteca que Isabel.

Os dois se conheceram  sob nomes falsos, ficaram (ela contrariando a si mesma, e ele traindo a namorada – não o julguem, crente também peca, gente) e não mais se falaram porque ela deu um número de telefone falso pra ele. A história é ambientada no final da década de 1990 e, naquela época, as pessoas dependiam dessa coisas quase obsoleta chamada telefone pra se comunicar.

Com o passar dos dias, Isabel, sem conseguir tirar Rogério da cabeça, resolveu visitar uma igreja evangélica em companhia de seu melhor amigo Franklin (uma figuraaaaça, vocês não acreditam!) e conheceu Rodrigo que, ela não sabia, era irmão de Rogério. Algumas semanas depois, Isabel e Rodrigo começam a namorar até que chega o momento inevitável do reencontro.

A história toda é escrita em segunda pessoa, ou seja, o livro conversa com você. É uma narrativa diferente do que a gente está acostumado, e eu adorei o estilo, mesmo que, às vezes, tenha sentido uma raiva secreta do autor. Explico: o recurso de conversar com o leitor é divertido e pouco usado, e faz você ficar concentrado na leitura mas, em algumas cenas, você tá lá, viajando legal na imagem que construiu na cabeça, e, de repente, o narrador para tudo pra te perguntar alguma coisa. A imagem congela, tudo para, e você se concentra no narrador. Meio como quando o teu filho te pede pra levar ele no banheiro na exata hora em que a mocinha vai ser esfaqueada pelo monstro nos filmes de terror.
 

Religiosidade x Religião x Preconceito

Por se tratar de uma história de amor entre alguém que declara não ter certeza se acredita em Deus e um evangélico convicto, é claro que a fé e a doutrinação são abordadas na história. Mas tudo é feito de forma tão leve que a gente nem percebe a importância das questões que estão sendo discutidas ali e, não foi só uma vez que a questão sobre o que conta mais:  ter fé, ou se empenhar nas obras e no amor ao próximo, foi abordada, mas não se preocupe, o livro não responde essa pergunta.

Com um narrador que não se identifica, e que conversa com quem está lendo a história, a única preocupação do autor é contar os fatos. Não há julgamentos.

Então assuntos como o namoro por conveniência que existe dentro das igrejas evangélicas; a doutrinação passiva de alguns fieis; o modo de vida daqueles que não acreditam em Deus; a incerteza de que uma pessoa pode ser boa mesmo sem acreditar em Deus; a mediunidade; o sexo antes do casamento; todos esses assuntos aparecem no decorrer da história e a gente vai mergulhando  naquilo sem perceber. Teve até uma viagem astral na história e, eu finalmente aprendi quem foi Jezebel além de ganhar algum respeito pelos evangélicos (sim, gente, eu sou daquelas que não entende evangélico, me processem), mas a história mergulhou tão fundo nas motivações e no amor por Cristo dos Evangélicos que eu meio que entendi muita coisa.
 

O que o livro tem de muito bom

Todos os personagens têm empregos normais e estudam.
Gente com horário; com compromisso, que usa o banheiro e que precisa pagar as contas no final do mês; não sei o que vocês acham, mas eu tenho andado meio saturada de tantos CEO’s e milionários nesses romances.
Isabel é secretária de médico (no começo da história) e Rogério é policial rodoviário, o Franklin é professor, o Rodrigo, bombeiro. Enfim, gente normal. Faz a coisa toda parecer ainda mais real.

A história é extensa, mas não é vã.
Como vou explicar? Bom… não tem verborragia, nem descrições detalhadas sobre lugares nem nada disso. É quase que cem por cento ação entre os personagens. Até, tenho que fazer um parênteses nessa coisa de descrição detalhada: B. Pellizzer é bem econômica com descrições. Se tem uma casa, é uma casa amarela com janelas brancas e isso deixa a gente livre pra imaginar a casa do jeito que der vontade, o mesmo ela faz com os personagens. Demorou algumas páginas até eu descobrir que Isabel tem cabelos negros, enrolados e peitos grandes porque, ao invés de focar no físico dos personagens, ela foca na personalidade, e eu acho que é por isso que eles são tão apaixonantes.

Depois de um tempo é como se você conhecesse os personagens.
Como se fossem seus amigos. Lá pelo meio do segundo capítulo eu já queria que Isabel fosse minha melhor amiga, já começava a rir só de pensar no Franklin, queria ter alguém como a Cláudia na minha vida e, na torcida entre os dois irmãos, eu confesso, fui mais o Rodrigo.

Não tem Pretérito-mais-que-perfeito.
Me irrita. Me julguem. Não parece natural.
Fulano nunca fizera questão de saber daquelas coisas… quem é que fala assim, gente?
A gente fala: fulano nunca quis saber daquelas coisas; ou fulano nunca fez questão de saber das coisas;  e tem até o famoso “tinha feito” que fica muito melhor do que fizera. Sei lá… implicância ou TOC, tanto faz. Me incomoda. Até porque a rega é clara: se escolher um tempo de conjugação verbal, deve se manter nele, e quem aguenta coisas como: “Parecera a ele que muitas horas tinham se passado desde que ele ousara olhar para a moça, que não percebera, no ato, a olhadela furtiva!”

As cenas de sexo.

Não é um livro hot, mas se você é maior de idade e namora, você transa, e não tem como contar uma história de amor sem ter algum sexo.
Quero aproveitar o ensejo e anunciar, em primeira mão, uma coisa que a B. Pellizzer me contou depois que eu liguei pra elogiar o livro: Duas Vidas era, originalmente, para ser um livro Hot, mas a história cresceu, a conquistou, e, no meio da caminho ela mudou tudo o que o deixou com o dobro do tamanho que tem hoje, então, logo, será lançada a versão SEM CORTES da história, só pra maiores.

Fica a dica pra quem curte um hot com conteúdo.

Ah Sônia, só quero ler a versão sem cortes, como vou saber se ela já lançou?

Se inscreve na nossa Newsletter que a gente avisa. Ou curte a página da maluca B. Pellizzer.
 

O que dá raiva na história

Essa era pra ser a seção: o que não é tão bom, mas, não vou mentir não, achei tudo bom no livro. Só teve uma coisa que me deixou muito puteada, e isso também foi bom, porque mexeu comigo (livros são pra isso, não são?)
Sim, livros são para mexer com a gente e fazer a gente pensar e até fazer eu ficar com as caras que eu fiz quando li o final.
 

P#ta qui os p@ri#.

Quando eu li a última página eu fiquei tipo
 
Daí eu fiquei meio:


E finalmente:
 



Se eu pudesse ir até Santa Catarina sem medo de trincar a tela do meu tablet eu tinha acertado a cabeça da escritora.

B. Pellizzer, minha filha, como você teve coragem?

Lamentando o final ou não, O Leitor Voraz recomenda e recomenda muito.

Disponível na Amazon. Quem tem Kindle Unlimited pode ler de graça. E, pra quem não sabe, não é preciso ter um Kindle para ler e-books da Amazon, basta instalar o app em qualquer celular, tablet ou computador.

Para os amantes de livros impressos, a versão física também está a venda na Amazon, no mesmo link, mas se quiser mais barato, também pode comprar a versão impressa pelo Clube dos Autores.

Dica do LeVo:


Comece a ler num sábado, ou véspera de feriado, ou em qualquer dia que você saiba que não vai precisar levantar cedo porque vai ser muito difícil conseguir parar de ler.