Ouvir estrelas

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir o sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizes, quando não estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".

Olavo Bilac
Poeta Brasileiro

Estou Lendo

O que toda mulher inteligente deve saber
Steven Carter & Julia Sokol
Editora Sextante
 
Este livro trata de um tema fundamental: a auto-estima nos relacionamentos amorosos.
As mulheres inteligentes sabem que existem duas maneiras de aprender a lidar com os homens - uma fácil e outra difícil. O problema é que a maioria delas escolhe a segunda forma, passando por experiências que deixam cicatrizes, mágoa, raiva e insegurança.
O objetivo de Steven Carter e Julia Sokol é justamente ensinar um caminho mais simples - e menos traumático - pra alcançar essa sabedoria.
Baseados em experiências de pessoas que, como nós, já investiram em relacionamentos que não deram certo, perderam noites chorando e esperando telefonemas que nunca receberam, eles dão valiosas dicas para que você evite os mesmos erros.
Qualquer mulher que tenha se apaixonado pelo menos uma vez na vida vai se reconhecer nessas histórias, rir de si mesma e descobrir que o amor verdadeiro é muito mais do que o coração disparado e pernas bambas. Com a ajuda deste livro, você vai aprender também:
 
  • Os 11 mandamentos da mulher inteligente
  • Como distinguir os homens certos dos errados
  • Quando acreditar no que ele diz e quando cair fora
  • Como identificar um homem potencialmente violento
  • Como lidar com uma separação
O que toda mulher inteligente deve saber vai ajudar você a escolher relacionamentos que lhe permitam crescer e sobretudo tornar-se a pessoa mais importante de sua própria vida.

(texto da contracapa)
 

Dicionário Voraz: Vernáculo

ver.ná.cu.lo

adjetivo masculino
1. Próprio do país a que pertence, nacional.
2. Genuíno, puro (figurado), oposto a entrada de estrangeirismos (lingüística).
3. Correto, puro no falar e no escrever
substantivo masculino
1. Língua própria de um país, em estado puro, sem mácula
2. Linguagem popular, cheia de gírias.
 
O termo tem origem no latim vernaculum, proveniente de verna: assim era denominado o escravo nascido na casa do senhor.

Vai Dormir P*##@

A Sextante lançou no dia 19 de julho de 2011 – sim, já faz um ano - o livro “Vai Dormir Porra" do escritor norte-americano Adam Mansbach.

A edição é linda, tem capa dura e ilustrações primorosas. O leitor desavisado pode até pensar que se trata de um livro para crianças: ele se parece com livro de crianças, tem ilustrações dignas de olhos exigentes e infantis, e está cheio de versinhos rimados.
 
Considerado polêmico, o livro conta a história de um pai que não consegue fazer a filha dormir. Utilizando-se de rimas e palavrões o autor dá um motivo para os pais cansados rirem um pouco da luta diária que é colocar seus filhos na cama.
O vento sopra, suave, nos campos em flor.
Os ratos estão na maior modorra.
Minha paciência está se esgotando, amor.
O que mais você quer? Vai dormir, p*##@
 
Clique para ampliar
 
Indicações: Altamente recomendando para pais desencanados que querem rir um pouco de sua própria rotina.
Contra-indicações: Contra indicado para aqueles pais que consideram grosseria dizer que o cocô de seu filho fede como o de qualquer outra criança e, para jovens idealistas que ainda pensam que ser pai ou mãe é algo próximo da santidade e que um pai deve nada menos do que dedicação total e irrestrita a seu filho.
 
Pessoalmente se eu pudesse definir este livro com apenas uma palavra seria: catártico. Em tempos de 'politicamente correto' onde tem sempre alguém pronto pra apontar o que é certo ou errado mesmo dentro de nossas próprias casas, é um alívio poder ler um livro que mostra que os outros pais também perdem a paciência.
 
Ficha Técnica
Título: Vai Dormir Porra
Páginas: 32 páginas
Autor: Adam Mansbach
Ilutrações: Ricardo Cortés
Tradução: Angélica Lopes
Gênero: Humor, Sátira
Editora: Sextante
Preço: R$-19,90

BFF

Ontem foi dia do amigo. Um pouco atrasada mas não tarde demais, fiz uma seleção do que considero os melhores amigos EVER em alguns recentes sucessos da literatura. Com amigos assim os inimigos são totalmente dispensáveis.


4o. Lugar: Harry, Rony e Hermione (Harry Potter, J.K. Rowling, Editora Rocco)
Eles se conheceram crianças, na escola, tudo normal e bonitinho. Seria muito normal se tornarem amigos para sempre, e até manterem contato durante a velhice, nada incomum exceto pelo fato de que um deles  é constantemente perseguido por uma força do mal que não deve nunca ser nomeada e com isso muita gente ao seu redor acaba morrendo, ou desaparecendo ou sendo perseguido. Sim, eu sei, o pobre Harry é apenas uma criança e não tem culpa dos infortúnios de sua vida mas, ele cresce durante a história, e quanto mais ele cresce, mais os problemas aumentam. E, pra piorar, nos filmes só dá o Harry, enquanto os amigos que o apoiam toda a vida são reduzidos a simples coadjuvantes. Haja auto-estima. Só sendo muito amigo.

3o. Lugar: Alice Cullen e Bela (Crepúsculo, Stephenie Meyer, Intrinseca)
Uma é uma vampira vegetariana feita de pedra e fria como o gelo. Outra é uma humana adolescente, frágil e com um cheiro irresistível de comida de vampiro. Tem como dar certo??
Para Meyer tem. Elas convivem, passeiam, fofocam e penteiam o cabelo uma da outra enquanto trocam segredos. É o equivalente a dizer que uma cobra criou um sapo de estimação.

2o. Lugar: Roland Deschain, Jake Chambers, Eddie Dean e Odetta Holmes (A Torre Negra, Stephen King, Editora Objetiva)
Roland sequestrou os outros três de seus mundos e os carregou para uma realidade alternativa onde eles não tinham comida nem água à disposição e estavam sujeitos a perigos diários como lagostas assassinas, robôs psicóticos, sequestradores de crianças, assassinos, bruxas e demônios. Ainda  assim todos os quatro viveram  juntos e felizes, e ficaram lado a lado até o derradeiro fim quando Roland finalmente chegou a Torre Negra.
A Sindrome de Estocolmo realmente não tem limite nessa história.

1o. Lugar: Melanie Stryder e Peregrina  (A Hospedeira, Stephenie Meyer, Intrinseca)
E em primeiríssimo lugar, com honras, tive que trazer mais um livro da Stephenie Meyer. Duas mulheres que dividem não só as roupas e o corte de cabelo. Elas dividem o corpo, os pensamentos, o irmão, e até os homens. Hein? Vivem um quarteto amoroso onde, incrivelmente, ninguém trai ninguém e todo mundo ama todo mundo sem ninguém ficar magoado.
Elas são mais do que civilizadas. Na verdade, qualquer uma delas poderia ser canonizada tamanha abnegação em nome da amizade.

Para uma menina com uma flor

Há muitos anos atrás, uma década e meia, em um canteiro de uma avenida de uma cidade qualquer estávamos, meu amor e eu, sentados. Conversando. Eu me aninhava em seus braços de costas pra ele, encaixada entre suas pernas, de modo que sua boca ficava muito próxima de minha orelha.
Ele tinha uma voz deliciosa. Especialmente aquela noite porque precisava sussurrar. Em algum momento durante nossa conversa ele recitou uma declaração de amor adaptada de um texto de Vinicius de Moraes. Foi tão lindo quanto inesperado.
Nosso amor foi eterno enquanto durou, e mesmo tendo a vida e a morte nos separado essa lembrança de amor nunca me abandonou. Ainda hoje quando leio o texto consigo escutar sua voz nitidamente, como se sussurrasse ao meu ouvido.
O texto se chama "Para Uma Menina Com Uma Flor" e foi retirado da coletânea de mesmo nome lançada pela Companhia das Letras em 1992.
 
 
“Porque você é uma menina com uma flor e tem uma voz que não sai, eu lhe prometo amor eterno, salvo se você bater o pino, o que, aliás, você não vai nunca porque você acorda tarde, tem um ar recuado e gosta de brigadeiro: quero dizer, o doce feito com leite condensado.

E porque você uma menina com uma flor e chorou na estação de Roma porque nossas malas seguiram sozinhas para Paris e você ficou morrendo de pena delas partindo assim no meio de todas aquelas malas estrangeiras. E porque você quando sonha que eu estou passando você pra trás transfere sua d.d.c. para o meu cotidiano, e implica comigo o dia inteiro como se eu tivesse culpa de você ser assim tão subliminar. E porque quando você começou a gostar de mim procurava saber por todos os modos com que camisa esporte eu ia sair para fazer mimetismo de amor, se vestindo parecido. E porque você tem um rosto que está sempre num nicho, mesmo quando põe o cabelo para cima como uma santa moderna, e anda lento, e fala em 33 rotações, mas sem ficar chata. E porque você é uma menina com uma flor, eu lhe predigo muitos anos de felicidade, pelo menos até eu ficar velho: mas só quando eu der aquela paradinha marota para olhar pra trás, aí você pode se mandar, eu compreendo.
 
E porque você é uma menina com uma flor e tem um andar de pajem medieval; e porque você quando canta nem um mosquito ouve a sua voz, e você desafina lindo e logo conserta, e às vezes acorda no meio da noite e fica cantando feito uma maluca. E porque você tem um ursinho chamado Nounouse e fala mal de mim para ele, e ele escuta mas não concorda porque é muito meu chapa, e quando você se sente perdida e sozinha no mundo você se deita agarrada com ele e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho. E porque você é uma menina que não pisca nunca e seus olhos foram feitos na primeira noite da Criação, e você é capaz de ficar me olhando horas. E porque você é uma menina que tem medo de ver a Cara-na-Vidraça, e quando eu olho você muito tempo você vai ficando nervosa até eu dizer que estou brincando. E porque você é uma menina com uma flor e cativou meu coração, e adora purê de batata, eu lhe peço que me sagre seu Constante e Fiel Cavalheiro.
E sendo você uma menina com uma flor, eu lhe peço também que nunca mais me deixe sozinho, como nesse último mês em Paris; fica tudo uma rua silenciosa e escura que não vai dar em lugar nenhum; os móveis ficam parados me olhando com pena; é um vazio tão grande que as  outras mulheres nem ousam me amar porque dariam tudo para ter um poeta penando assim por elas, a mão no queixo, a perna cruzada triste e aquele olhar que não vê. E porque você é a única menina com uma flor que eu conheço, eu escrevi uma canção tão bonita pra você, “Minha Namorada”, a fim de que, quando eu morrer, você, se por acaso não morrer também, fique deitadinha abraçada com Nounouse, cantando sem voz aquele pedaço em que eu digo que você tem de ser a estrela derradeira, minha amiga e companheira, no infinito de nós dois.
E já que você é uma menina com uma flor e eu estou vendo você subir agora – tão purinha entre as marias – sem-vergonha – a ladeira que traz ao nosso chalé, aqui nestas montanhas recortadas pela mão presciente de Guignard; e o meu coração, como quando você me disse que me amava põe-se a bater cada vez mais depressa. E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço e o mato a nossa volta se faz murmuroso e se enche de vaga-lumes enquanto a noite desce com seus segredos, suas mortes, seus espantos – eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei; e que todas as mulheres que eu amei, como tristes estátuas ao longo da aleia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão, de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfeitando a sua fronte de grinaldas; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações – porque você é linda, porque você é meiga e sobretudo porque você é uma menina com uma flor.”

Amada

amada

Céleres, as estrelas caem do céu.
Tu as recolhes, uma a uma,
- ó segadora de luzes!

Ilumina com elas a noite
de tua cabeleira longa.
E fica assim, imóvel, risonha,
diante de mim deslumbrado
- mito cintilante do amor.

Mário da Silva Brito

 

*A imagem é do site http://www.overmundo.com.br

Palavra da Semana: Voraz

Para inaugurar a coluna Palavra da Semana tenho que começar com a que dá nome ao blog: Voraz.
Considero voraz uma das palavras mais sensuais do nosso vocabulário. Quando em penso em voracidade penso em peles quentes se tocando, em suspiros, em suor e em beijos apaixonados e tudo isso ao mesmo tempo. É claro que, em seu significado original, voraz não tem nada de sensual e essa é apenas uma impressão pessoal minha – e que continua martelando em minha cabeça enquanto escrevo estas palavras.

Voraz (vo.raz) é um adjetivo que significa:

1. Devorador, capaz de sorver e engolir irreprimivelmente; ÁVIDO; SÔFREGO; EDAZ (fala sério!!! isso é tremendamente sensual, não é?)
2. O mesmo que glutão
3. Fig. Ambicioso, louco por conquistas, riquezas (carreirista voraz)
4. Fig. Destruidor, corrosivo 
Fonte: http://aulete.uol.com.br/site.php?mdl=aulete_digital&op=loadVerbete&palavra=voraz

Aplicação em frase: Ela tem um apetite voraz.

Citação: "O que normalmente se chama de amor é, de facto, o desejo de satisfazer um apetite voraz com uma certa quantidade de delicada carne branca humana" (Henry Fielding, no livro Tom Jones)