A Letra Escarlate

 
Eu confesso: sou completamente apaixonada pelos clássicos. O mercado editorial se renova todos os dias e, ainda assim, sempre dou um jeito de ler uma história antiga, batida, e que, teoricamente, todos conhecem.
 
Um clássico pode ter várias facetas e, apesar de todos nós sabermos como termina a historia, o modo de aprecia-la pode mudar muito de uma edição pra outra. A releitura de um clássico depende da tradução, da edição, da época em que ela é publicada.
 
Mas não é esse o objetivo do artigo. Vou defender os clássicos em um outro post, hoje eu quero falar de um clássico que estou em cócegas para ler há algum tempo e que foi relançado, recentemente, pelo selo Penguin da Companhia das Letras, A Letra Escarlate.
 
É… eu sei, eu sei, isso é notícia velha mas, minha fila de leitura também está envelhecendo e tudo o que eu espero é conseguir ler tudo antes de morrer. Desejo, sinceramente, que meu corpo seja encontrado embaixo de um livro.
 
logo-companhia-das-letrasNo final de semana, li uma resenha muito boa feita do livro de Nathaniel Hawthorne e fiquei babando por isso, quando recebi o meu exemplar esta manhã, pacientemente expliquei aos outros livros que estão na fila, que eles terão que esperar mais um pouquinho.
 

 
Companhia das letras: divulgaçãoA história é situada na Boston puritana do século XVII. Separados da igreja Anglicana, os puritanos levavam o pecado muito a sério e uma mulher adúltera precisava ser punida. Era a lei. A punição para o adultério era receber a marca da letra escarlate, e viver sem poder esconder sua desonra.
 
Casada com um homem muito mais velho e desprovido da capacidade de amar, desonrada pela paixão que viveu com o pregador que é covarde demais para assumir seu amor pela Adúltera – como era considerada pela comunidade – a heroína Hester Prynne vai carregar seu estigma, aceita-lo como parte de si e, por fim, mudar seu significado para o mundo exterior.
 
‘Bora ler galera…

Estou Lendo

O Sonho de Matilde
Livia Garcia Roza
 
O vernáculo do pai, que mistura instrução com intuição em uma liguagem muito singular. A crendice da mãe, que fala sozinha e ora para a tia madrinha expulsar o Capeta da casa. A perfeição de Cristina até na hora de dormir, exemplo a ser seguido pelos mais novos. A falação de Matilde , a irmã devota. As brincadeiras de Mateus, o temporão. O sotaque caipira que não disfarça de onde vieram.
Neste delicioso e comovente romance, que se passa na década de 1960, Livia Garcia-Roza juntou diversas vozes para compor o retrato de uma família. Mas não se trata de qualquer família, e sim de uma especial: a Moreira. Afinal, cedo o pai ensinou que todos deveriam honrar a linhagem, "tínhamos que ser uma família de direitos, andar com a cabeça erguida, fronte altaneira e o pensamento limpo".
Como típica irmã que vê a mais velha como modelo, o sonho de Cristina passa a ser também o de Matilde: conhecer o Rio de Janeiro. Criadas numa cidade pequena, sem perspectivas, as duas compartilham o desejo de, passado o vestibular, cursar a universidade na cidade maravilhosa.
Contudo, o destino será traiçoeiro. Elas terão a oportunidade de realizar a viagem e conhecer a tão sonhada Copacabana, mas a experiência talvez não saia exatamente como planejaram.
 
(texto da orelha da capa)

Estou Lendo

O_MORRO_DOS_VENTOS_UIVANTESO Morro dos Ventos Uivantes
Emily Brontë
Lua de Papel

Na fazenda chamada Morro dos Ventos Uivantes nasce uma paixão devastadora entre Heathcliff e Catherine, amigos de infância e cruelmente separados pelo destino. Mas a união do casal é mais forte do que qualquer tormenta; um amor proibido que deixará rastros de ira e vingança. “Meu amor por Heathcliff é como uma força eterna, Eu sou Heathcliff”, diz a apaixonada Cathy.
 
O único romance escrito por Emily Brontë e uma das histórias de amor mais surpreendentes de todos os tempos, O Morro dos Ventos Uivantes é um clássico da literatura inglesa e tornou-se o livro favorito de milhares de pessoas.
 
(texto da contracapa)

Estou Lendo

orgulhoepreconceitoOrgulho e Preconceito
Jane Austen
Abril Coleções

“É uma verdade universalmente conhecida que um homem solteiro, possuidor de uma boa fortuna, deve estar necessitado de uma esposa.
Por pouco que os sentimento sou as opiniões de tal homem sejam conhecidos ao se fixar numa nova localidade, essa verdade se encontra de tal modo impressa nos espíritos das famílias vizinhas que o rapaz é desde logo considerado a propriedade legítima de uma das suas filhas.”
 
Dois primeiros parágrafos do livro. A julgar por estes parágrafos a leitura promete ser muito boa!!!

E, porque hoje é sábado, uma saudável dose de Vinícius….

 
DIA DE SÁBADO
Porque hoje é Sábado, comprei um violão para minha filha Susana, a fim de que ela aprenda dó maior e cante um dia, ao pé do leito de morte de seu pai, a valsa “Lágrimas de dor”, de Pixinguinha – e seu pai possa assim cerrar para sempre os olhos entre prantos e galgar a eternidade ajudado pela mão negra e fraterna do grande valsista…

Porque hoje é Sábado, desejarei ser de novo jovem e tremer, como outrora, à ideia de encontrar a mulher casada, de pés de açucena; desejarei ser jovem e olhar, como outrora, meus bíceps fortes diante do espelho…

Porque hoje é Sábado, desejarei estar num trem indo de Oxford para Londres e à passagem da estação de Reading lembrar-me de Oscar Wilde a escrever na prisão que o homem mata tudo que ele ama…

Porque hoje é Sábado, desejarei estar de novo num botequim do Leblon, com meu amigo Rubem Braga, ambos negros de sol e com cabelos, ai, sem brancores; desejarei ser de novo moreno de sol e de amores, eu e meu amigo Rubem Braga, pelas caçadas luminosas da praia atlântica, a pele salgada de mar e de saliva de mulher, ai…

Porque hoje é Sábado, desejarei receber uma carta súbita, contendo sobre uma folha de papel de linho azul a marca em batom de uns grossos lábios femininos e ver carimbado no timbre o nome Florença…

Porque hoje é Sábado, desejarei que a lua nasça em castidade, e que eu a olhe no céu por longos momentos, e que ela me olhe também com seus grandes olhos brancos cheios de segredo…

Porque hoje é Sábado, desejarei escrever novamente o poema sobre o dia de hoje, sentindo a antiga perplexidade diante da palavra escrita em poesia, e, como dantes, levantar-me com medo da coisa escrita e ir olhar-me ao espelho para ver se eu era eu mesmo…

Porque hoje é Sábado, desejarei ouvir cantar minha mãe em velhas canções perdidas, quando a tarde deixava um alto silêncio na casa vazia de tudo que não fosse sua voz infantil…

Porque hoje é Sábado, desejarei ser fiel, ser para sempre fiel; ser como o corpo, com o espírito, com o coração fiel à amiga, àquela que me traz no seu regaço desde as origens do tempo e que, com mãos de pluma, limpa de preocupações e angústia a minha fronte imensa e tormentosa…


Setembro de 1953

Extraído do livro “Para uma menina com uma flor” da Companhia das Letras

O Sonho de Matilde


Foi uma delícia ler este livro.
 
O Sonho de Matilde conta a história dos Moreira, uma família do interior de Minas Gerais cujo pai é um orgulhoso funcionário da Caixa Econômica Federal.
 
A narradora da história é a própria Matilde e ela é de uma inocência quase dolorosa. A história não conta exatamente quantos anos Matilde tem mas fica claro que ela não é mais uma menininha. Ela frequenta cursinho, está prestes a entrar pra faculdade. Se ignorarmos este fato pode-se facilmente acreditar que o relato pertence a uma menina com não mais do que doze anos.
 
Ambientado na década de 1960 o livro tem aquele potencial delicioso de nos fazer mergulhar em nossa própria infância. Eu não cresci nessa década, nasci quase 20 anos depois disso e ainda assim consegui resgatar os cheiros da minha infância; a importância que os mais velhos davam ao nome; o status que tinha um funcionário do Banco do Brasil ou da Caixa Econômica; e o quanto era bonitinho uma menininha quietinha e delicada, orgulho dos pais, moça prendada.
Copacabana nos anos 1960
 
A moça prendada, maior orgulho dos Moreira era Cristina, irmã de Matilde e, o sonho de Matilde era ser exatamente como a irmã. Juntas elas dividiram um outro sonho: o  de sair de Minas Gerais e ir para o Rio de Janeiro, conhecer a praia de Copacabana. Elas já tinham tudo planejado: o curso universitário, o casamento, o número de filhos.
 
Foi quando o mundo de Matilde começou a desmoronar e ela viu seus sonhos, um a um, serem roubados.
Acho que o maior mérito desse romance de Livia Garcia-Roza é o de conseguir descrever com perfeição o que é crescer. A transformação da menina em mulher. O momento exato em que é preciso abrir mão dos sonhos e aceitar o que a vida te trouxe e fazer o melhor com isso.
Vale muito a pena ler.

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A foto da Praia de Copacabana foi copiada do site http://www.copacabana.com/fotos, que é lindo. Visitem.

A Hospedeira

O artigo que segue é apenas um teaser, não uma resenha. Não há spoiler.
 
Stephenie Meyer apareceu de repente, com uma história sobre vampiros vegetarianos e apaixonados e em pouco tempo conquistou legiões de fãs adolescentes e alguns fãs não tão adolescentes assim. Com um estilo de escrita muito simples, e ao mesmo tempo bastante prolixo, Stephenie não segue nenhum manual do tipo "como escrever bem" nem nada disso. Ela faz tudo “errado”, seus livros são cheios de clichês, palavras repetidas,   e lugares-comuns e, mesmo assim, é impossível interromper a leitura de cada um deles enquanto não se conhece o final.
 
Pode-se dizer muitas coisas sobre Stephenie Meyer, menos que ela não saiba contar uma história.
 
A Hospedeira, publicado no Brasil pela Editora Intrinseca, é exatamente assim: extravagante no argumento, simples na escrita, e absolutamente viciante.
 
Na história, o planeta foi invadido por um inimigo silencioso que é implantado nos corpos dos humanos, e que toma o lugar de sua consciência, suprimindo o livre-arbítrio. Isso aconteceu porque o homem ficou muito violento e estava destruindo o planeta e a si mesmo.
 
Ser implantado em humanos selvagens e adultos, entretanto, não é fácil para as Almas - esse é o nome dado aos alienígenas implantados - que precisam aprender a conviver com a grande quantidade de sentimentos e sensações humanas até então desconhecidos.
 
Quando a Alma, chamada Peregrina, foi implantada em Melanie Stryder, encontrou uma lutadora que se recusou a desaparecer. Atormentada pelas visões de Jared e Jamie, namorado e irmão de Melanie, Peregrina se põe em risco ao atravessar o deserto em busca desses dois amores.
 
A partir daí se desenrola uma história ótima em que Melanie tenta se libertar para ficar com seu Jared e Peregrina tenta provar que é uma alma decente e boa e que merece ter uma vida própria.
 
Duas mentes habitando o mesmo corpo. Guerra e paz, amor e desejo, medo e culpa ao mesmo tempo e como somente Stephenie Meyer é capaz de descrever.
 
Ficha Técnica:
Título: A Hospedeira (The Host)
Autor: Stephenie Meyer
Tradução: Renato Aguiar
Páginas: 560
Editora: Intrinseca
Preço: 14,90

Estou Lendo

 
A Sombra do Vento
Carlos Ruiz Zafón
SUMA de letras


Numa madrugada de 1945, em Barcelona, Daniel Sempere é levado por seu pai a um misterioso lugar no coração do centro histórico: o Cemitério dos Livros Esquecidos. Lá, o menino encontra A Sombra do Vento, livro maldito que mudará o rumo de sua vida e o arrastará pra um labirinto de aventuras repleto de segredos e intrigas enterrados na lama obscura da cidade. A busca por pistas do desaparecido autor do livro que o fascina transformará Daniel em homem ao iniciá-lo no mundo do amor, do sexo e da literatura.
Numa narrativa de ritmo eletrizante que mistura gêneros como o romance de aventuras de Alexandre Dumas, a novela gótica de Edgar Allan Poe e os folhetins amorosos de Victor Hugo, Carlos Ruiz Zafón mantém o leitor em estado de contínuo suspense. Ambientada na Espanha franquista da primeira metade do século XX, entre os últimos raios de luz do modernismo e as trevas do pós-guerra, a Sombra do Vento é uma obra sedutora, comovente e impossível de largar. Uma grandiosa homenagem ao poder místico dos livros..

(texto da contracapa)

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Diários do Vampiro

Vou confessar que tenho o livro há quase um ano.
Depois que  me rendi a Crepúsculo, de Stephenie Meyer, fiquei bastante curiosa com relação aos vampiros modernos – aqueles diferentes dos que eu conheci com Anne Rice e Bram Stoker. Vampiros que se apaixonam, que tentam não se render às trevas. Vampiros bonzinhos!!! Imbuída desse espírito, e no rastro de Crepúsculo, comprei os dois primeiros volumes de Diários do Vampiro mas acabei encostando na minha estante.


Na segunda feira, quando comecei a ler duas coisas aconteceram: a primeira é que não consegui parar de ler antes de terminar os dois volumes; a segunda é que percebi que a história é, no argumento, basicamente igual a Crepúsculo. Está tudo lá: o vampiro bonzinho que quer abandonar as trevas, decide conviver junto aos humanos bebendo apenas sangue de animais e se apaixona pela colegial inocente; a colegial inocente; os segredos; a capacidade da colegial enxergar a bondade através dos olhos do vampiro mesmo tendo certeza – intuitivamente – de que ele é perigoso; o porsche 911;  a Itália; a cidade pequena e obscura onde tudo acontece; está lá até mesmo o crepúsculo que deu nome ao primeiro livro de Stephenie Meyer. 


Como achei as coincidências muito grandes, primeiro fui conferir o Copyright do livro e vi que a história original de Diários do Vampiro é de 1991, enquanto a de Stephenie Meyer é de 2005. Então, pesquisei no Google. Ao que parece a própria autora de Diários do Vampiro acusou Meyer de plágio. Não tive  curiosidade suficiente para descobrir o que aconteceu depois, se há processo em andamento ou se ficou na bate-boca na imprensa, mas a uma conclusão eu cheguei: a vida de Smith deve ter melhorado muito depois do sucesso da saga de Stephenie Meyer. Seus livros ganharam uma série para a televisão e foram traduzidos em diversas línguas. Aqui no Brasil eles chegaram em 2009 pelo selo Galera, da Record.



Até onde eu li de Diários do Vampiro, as semelhanças param no argumento. As histórias em si são muito diferentes uma da outra. Os vampiros de Smith são muito mais sombrios, mais próximos do que a literatura tradicional já nos apresentou como vampiros, eles têm fraquezas, bebem sangue e são mesmo malvados. Enquanto que nos livros da Stephenie Meyer, eles mais parecem personagens de um romance estilo “Julia/Sabrina/Bianca” (se você nunca leu um Julia, Sabrina ou Bianca, clique aqui e descubra o que é).
 

As duas séries têm seus méritos. J.L. Smith é sem dúvida uma escritora melhor que Meyer, mas Meyer soube criar seus personagens. É muito mais fácil sentir simpatia – e até empatia em alguns momentos - por uma desastrada Bella Swan do que por uma loira gostosona, rainha da escola e super-popular que, apesar de ter tudo, não está contente com o que tem. Isso pra não falar no Edward Cullen. Um simples boa noite bem dito pelo Cullen em Crepúsculo faria o herói da história de Smith, Stefan, se encolher e chorar de vergonha.
Mas agora, vamos esquecer as comparações e falar do livro.

* Alerta de Spoiler: o texto a seguir contém informações sobre o enredo.

Diários do Vampiro - O Despertar
Conta a história de Elena. Estudante bonita e popular. A realeza como ela mesma gosta de se considerar. Amada e invejada por todos na escola mas infeliz. Sente que algo lhe falta até conhecer Stefan. Bonito, rico e misterioso, Stefan não parece querer fazer parte de seu séquito de admiradores e isso deixa Elena inconformada além de apaixonada.
Stefan é um vampiro atormentado por sua natureza maligna e está tentando levar uma vida normal, misturado aos humanos. Quando percebe Elena, se encanta imediatamente por sua força interior – sim, ele também lê as pessoas, mas somente suas auras – no entanto a semelhança física de Elena com um amor perdido há muitos séculos faz com que ele se afaste.
Como era de se esperar os dois acabam ficando juntos. A história é muito bem costurada e a autora J.L. Smith sabe fazer bem o trabalho de segurar o leitor preso às páginas de seu livro mas falta um pouco de sal ao casal principal. Elena não desperta empatia, por ser popular e mimada e Stefan é um ‘idiota sofredor’. Toda mulher já teve um namorado assim: sofredor.  Um coitadinho procurando por um colo quente onde se encostar. A história de amor dos dois não convence  mas os demais elementos do livro ajudam a criar um suspense juvenil delicioso: o corvo negro que vigia Elena constantemente e a paranormalidade de Bonnie – uma das melhores amigas de Elena – são alguns desses elementos.
Quase no final do livro, revela-se Damon. O irmão malvado de Stefan. Damon se mostrou um personagem bastante interessante e sensual também. Há um confronto entre os irmãos. Damon vence. Stefan desaparece e Elena vai procura-lo e esse é o gancho para o próximo livro O Confronto.

Diários do Vampiro - O Confronto

O segundo livro da série Diários do Vampiro é melhor que o primeiro. Se afastou um pouco do casalzinho sem sal e se focou mais no sobrenatural.
A história começa com a busca de Elena por Stefan, que desapareceu depois de um confronto com seu irmão Damon.
Damon passou a assediar Elena com mais veemência o que rendeu trechos muito sensuais.Damon é muito mais interessante do que o irmão: charmoso, sexy, inteligente e poderoso. Extremamente poderoso e faz com Elena aquele joguinho delicioso de "quem pode mais" na hora do flerte.
O personagem Elena também deu uma guinada. De rainha do colégio passou a pária social e ela precisou se adaptar a esta nova situação o que fez seu caráter aparecer, e foi bom, ela ficou bem mais interessante.
Como trama paralela tem o plano de Caroline (ex-melhor amiga de Elena) e Tyler (que levou uma surra  de Stefan no primeiro livro depois que tentou violentar Elena) para expulsar Stefan da cidade e acabar de vez com a vida social de Elena no colégio.
Stefan explica muitas coisas sobre os vampiros para Elena e dá a ela munição para combater Damon, o que ela, de fato, não quer.
Há cenas ótimas que remetem o leitor aos vampiros originais que têm poderes de hipnose e conseguem controlar os humanos, inclusive nos sonhos. Só senti falta da Bonnie. Com seus poderes paranormais ela poderia ter sido mais explorada nesta parte da história.
Não tenho os outros livros da série ainda. Mas vou lê-los em breve, e conto depois.