Paulo Coelho: minha última grande fronteira

#vouconfessarque nunca li Paulo Coelho.

Ai que susto

Comecei a ler muito cedo. Primeiro por influência de minha mãe, e depois para seguir o currículo escolar. Com minha mãe aprendi o amor à leitura, com a escola aprendi o amor o aos clássicos.

Cresci lendo muito mas, não “qualquer coisa”. Pra mim, sempre existiu a leitura boa, construtiva e que eleva a alma; e a literatura menor, feita para neo leitores e que não valia meu tempo. Mas isso é história pra um outro post.

O fato é que me abri pra novas experiências e deixei de lado meus preconceitos pra me render à literatura popular ou de entretenimento somente depois dos meus trinta anos.

Aprendi que é possível apreciar Machado de Assis, José de Alencar, Miguel de Cervantes, Dostoiévski, e, ao mesmo tempo, gozar de um bom tempo com Stephenie Meyer, J.K. Rowling e James Patterson.

Paulo CoelhoEssa foi uma grande motivação pra começar o blog: ensinar que a literatura não deve sofrer preconceito. Que toda história tem seu valor e que todo escritor é um criador de mundos. Mas, ainda assim, nunca me animei a cruzar a fronteira que leva até o escritor Paulo Coelho.

Como leitora assídua e viciada, claro que tenho muito mais livros do que consigo ler e, na minha biblioteca, há vários títulos de Paulo Coelho nunca folheados.

Então, esta semana, me deparei com um artigo do colunista da Folha de São Paulo, e membro da Academia Brasileira de Letras, Carlos Heitor Cony, falando sobre o fenômeno Paulo Coelho e - ao contrário do resto da mídia exigente - de forma bastante elogiosa, sobretudo com relação à sua postura pessoal e me peguei pensando: por que é mesmo que eu nunca li nada desse cara?Bibliografia Paulo Coelho

Estou lendo Zafón agora mas, minha próxima missão é ultrapassar a fronteira Paulo Coelho.

Eu volto pra contar.

Tragédia em Santa Maria–RS

Luto por Santa Maria

Hoje o dia amanheceu bem triste com as notícias que chegaram do Rio Grande do Sul.

Um incêndio na boate Kiss, da cidade de Santa Maria, matou mais 200 pessoas. A maioria jovens universitários.

Grandes tragédias causam grandes ondas de comoção e, tenho certeza, o Brasil vai levar muito tempo pra esquecer essa.

Aparentemente, o vocalista da Banda Gurizada Fandangueira que estava se apresentando no dia, utilizou um sinalizador no palco, cujo uso é proibido em ambientes fechados, e a espuma do isolamento acústico acabou pegando fogo. Pelo menos um dos extintores de incêndio da boate não funcionou e o fogo acabou se alastrando, bem como a fumaça.

A boate tinha apenas uma saída, por onde as pessoas mostram a comanda paga ao segurança antes de poder deixar o estabelecimento. Como os seguranças não haviam percebido o fogo, não permitiram a saída das pessoas em fuga por pensarem se tratar de um golpe a fim de sair sem pagar. Nesse tempo, a fumaça tóxica encheu o ambiente provocando intoxicação.

Durante todo o dia, têm circulado pela internet notícias sobre o acontecido e também fotos do local do acidente. O Leitor Voraz não divulgará as fotos em respeito às famílias.  lutosantamariacoracaosangrando

Oremos por cada pai e cada mãe que não poderá ver seu filho voltar pra casa hoje.

“A Morte é uma sacanagem. Sou contra.” Luis Fernando Veríssimo

Depois de assustar o país ao ficar internado por 24 dias em função de uma gripe que acabou virando um caso de infecção generalizada no final de 2012, o escritor gaúcho Luis Fernando Veríssimo, 76 anos, já se encontra em casa.

Luis Fernando Veríssimo

Ainda com sequelas provocadas pela doença, ao que parece, o período de internação não prejudicou o seu senso de humor. O escritor, que já voltou a trabalhar, deu uma entrevista bem humorada à Folha Ilustrada, onde falou sobre o retorno à casa, seus próximos trabalhos, e seu período de internação.

Leia a entrevista completa aqui. 

Quer deixar seu tablet com cara de livro? O nome da novidade é eBook Jacket

Você é o orgulhoso proprietário de um iPad, Kindle ou Kobo e tem acesso a muitos títulos de livros e outras publicações e tá doido pra ler tudo isso enquanto vai para o trabalho no ônibus mas morre de medo de ser assaltado???

Seus problemas acabaram!!!

A americana Out Of Print desenvolveu o eBook Jacket, que é, basicamente, uma capa de livro pra colocar o seu tablet dentro e poder ler com tranquilidade.

A novidade, que ainda não está a venda no Brasil, pode ser encomendada pelo site da empresa e custa $45 dólares. É compatível com iPad 2/3/4, Kindle Fire 7” primeira e segunda geração,  e Nexus 7. Alguns modelos também são compatíveis com o Kobo Glo.

Os temas escolhidos foram grandes sucessos da literatura mundial como 1984 de George Orwell, Moby Dick de Herman Melville, e Lolita de Vladimir Nabokov, mas, a empresa também conta com alguns modelos sem ilustração.

Dá uma olhada em alguns modelos:

Feliz Aniversário Edgar Allan Poe

 
 
Hoje é comemorado o dia do nascimento de um dos maiores nomes da história dos contos mundial. Edgar Allan Poe foi precursor em vários sentidos: foi o primeiro escritor norte americano conhecido por tentar ganhar a vida apenas escrevendo o que é, até os dia de hoje, um desafio.
 
 
Poe é considerado criador do gênero de ficção policial com seus textos sempre envoltos pelo misterioso e pelo macabro. Sua obra mais conhecida por aqui é o conto “O Corvo” escrito em 1845 que eu incluo neste post em minha versão preferida: a tradução de Machado de Assis.
 
 
Deliciem-se:


O Corvo
 
 
Em certo dia, à hora, à hora
Da meia-noite que apavora,
Eu, caindo de sono e exausto de fadiga,
Ao pé de muita lauda antiga,
De uma velha doutrina, agora morta,
Ia pensando, quando ouvi à porta
Do meu quarto um soar devagarinho,
E disse estas palavras tais:
"É alguém que me bate à porta de mansinho;
Há de ser isso e nada mais."
 
 
Ah! bem me lembro! bem me lembro!
Era no glacial dezembro;
Cada brasa do lar sobre o chão refletia
A sua última agonia.
Eu, ansioso pelo sol, buscava
Sacar daqueles livros que estudava
Repouso (em vão!) à dor esmagadora
Destas saudades imortais
Pela que ora nos céus anjos chamam Lenora.
E que ninguém chamará mais.
 
 
E o rumor triste, vago, brando
Das cortinas ia acordando
Dentro em meu coração um rumor não sabido,
Nunca por ele padecido.
Enfim, por aplaca-lo aqui no peito,
Levantei-me de pronto, e: "Com efeito,
(Disse) é visita amiga e retardada
Que bate a estas horas tais.
É visita que pede à minha porta entrada:
Há de ser isso e nada mais."
 
 
Minh'alma então sentiu-se forte;
Não mais vacilo e desta sorte
Falo: "Imploro de vós, — ou senhor ou senhora,
Me desculpeis tanta demora.
Mas como eu, precisando de descanso,
Já cochilava, e tão de manso e manso
Batestes, não fui logo, prestemente,
Certificar-me que aí estais."
Disse; a porta escancaro, acho a noite somente,
Somente a noite, e nada mais.
 
 
Com longo olhar escruto a sombra,
Que me amedronta, que me assombra,
E sonho o que nenhum mortal há já sonhado,
Mas o silêncio amplo e calado,
Calado fica; a quietação quieta;
Só tu, palavra única e dileta,
Lenora, tu, como um suspiro escasso,
Da minha triste boca sais;
E o eco, que te ouviu, murmurou-te no espaço;
Foi isso apenas, nada mais.
 
 
Entro co’a alma incendiada.
Logo depois outra pancada
Soa um pouco mais forte; eu, voltando-me a ela:
"Seguramente, há na janela
Alguma cousa que sussurra. Abramos,
Eia, fora o temor, eia, vejamos
A explicação do caso misterioso
Dessas duas pancadas tais.
Devolvamos a paz ao coração medroso,
Obra do vento e nada mais."
 
 
Abro a janela, e de repente,
Vejo tumultuosamente
Um nobre corvo entrar, digno de antigos dias.
Não despendeu em cortesias
Um minuto, um instante. Tinha o aspecto
De um lord ou de uma lady. E pronto e reto,
Movendo no ar as suas negras alas,
Acima voa dos portais,
Trepa, no alto da porta, em um busto de Palas;
Trepado fica, e nada mais.
 
 
Diante da ave feia e escura,
Naquela rígida postura,
Com o gesto severo, — o triste pensamento
Sorriu-me ali por um momento,
E eu disse: "O tu que das noturnas plagas
Vens, embora a cabeça nua tragas,
Sem topete, não és ave medrosa,
Dize os teus nomes senhoriais;
Como te chamas tu na grande noite umbrosa?"
E o corvo disse: "Nunca mais".
 
 
Vendo que o pássaro entendia
A pergunta que lhe eu fazia,
Fico atônito, embora a resposta que dera
Dificilmente lha entendera.
Na verdade, jamais homem há visto
Cousa na terra semelhante a isto:
Uma ave negra, friamente posta
Num busto, acima dos portais,
Ouvir uma pergunta e dizer em resposta
Que este é seu nome: "Nunca mais".
 
 
No entanto, o corvo solitário
Não teve outro vocabulário,
Como se essa palavra escassa que ali disse
Toda a sua alma resumisse.
Nenhuma outra proferiu, nenhuma,
Não chegou a mexer uma só pluma,
Até que eu murmurei: "Perdi outrora
Tantos amigos tão leais!
Perderei também este em regressando a aurora."
E o corvo disse: "Nunca mais!"
 
 
Estremeço. A resposta ouvida
É tão exata! é tão cabida!
"Certamente, digo eu, essa é toda a ciência
Que ele trouxe da convivência
De algum mestre infeliz e acabrunhado
Que o implacável destino há castigado
Tão tenaz, tão sem pausa, nem fadiga,
Que dos seus cantos usuais
Só lhe ficou, na amarga e última cantiga,
Esse estribilho: "Nunca mais".
 
 
Segunda vez, nesse momento,
Sorriu-me o triste pensamento;
Vou sentar-me defronte ao corvo magro e rudo;
E mergulhando no veludo
Da poltrona que eu mesmo ali trouxera
Achar procuro a lúgubre quimera,
A alma, o sentido, o pávido segredo
Daquelas sílabas fatais,
Entender o que quis dizer a ave do medo
Grasnando a frase: "Nunca mais".
 
 
Assim posto, devaneando,
Meditando, conjeturando,
Não lhe falava mais; mas, se lhe não falava,
Sentia o olhar que me abrasava.
Conjeturando fui, tranquilo a gosto,
Com a cabeça no macio encosto
Onde os raios da lâmpada caíam,
Onde as tranças angelicais
De outra cabeça outrora ali se desparziam,
E agora não se esparzem mais.
 
 
Supus então que o ar, mais denso,
Todo se enchia de um incenso,
Obra de serafins que, pelo chão roçando
Do quarto, estavam meneando
Um ligeiro turíbulo invisível;
E eu exclamei então: "Um Deus sensível
Manda repouso à dor que te devora
Destas saudades imortais.
Eia, esquece, eia, olvida essa extinta Lenora."
E o corvo disse: "Nunca mais".
 
 
“Profeta, ou o que quer que sejas!
Ave ou demônio que negrejas!
Profeta sempre, escuta: Ou venhas tu do inferno
Onde reside o mal eterno,
Ou simplesmente náufrago escapado
Venhas do temporal que te há lançado
Nesta casa onde o Horror, o Horror profundo
Tem os seus lares triunfais,
Dize-me: existe acaso um bálsamo no mundo?"
E o corvo disse: "Nunca mais".
 
 
“Profeta, ou o que quer que sejas!
Ave ou demônio que negrejas!
Profeta sempre, escuta, atende, escuta, atende!
Por esse céu que além se estende,
Pelo Deus que ambos adoramos, fala,
Dize a esta alma se é dado inda escuta-la
No éden celeste a virgem que ela chora
Nestes retiros sepulcrais,
Essa que ora nos céus anjos chamam Lenora!”
E o corvo disse: "Nunca mais."
 
 
“Ave ou demônio que negrejas!
Profeta, ou o que quer que sejas!
Cessa, ai, cessa! clamei, levantando-me, cessa!
Regressa ao temporal, regressa
À tua noite, deixa-me comigo.
Vai-te, não fique no meu casto abrigo
Pluma que lembre essa mentira tua.
Tira-me ao peito essas fatais
Garras que abrindo vão a minha dor já crua."
E o corvo disse: "Nunca mais".
 
 
E o corvo aí fica; ei-lo trepado
No branco mármore lavrado
Da antiga Palas; ei-lo imutável, ferrenho.
Parece, ao ver-lhe o duro cenho,
Um demônio sonhando. A luz caída
Do lampião sobre a ave aborrecida
No chão espraia a triste sombra; e, fora
Daquelas linhas funerais
Que flutuam no chão, a minha alma que chora
Não sai mais, nunca, nunca mais!

Oportunidade de Estágio na Bienal do Rio 2013


Se você é acadêmico nos cursos de Marketing, Comunicação, Administração com formatura prevista a partir de 2014 e mora no Rio de Janeiro, você pode se candidatar a uma vaga de estagiário na XVI Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro.
A XVI Bienal do Rio acontecerá entre os dias 29 de Agosto e 8 de Setembro de 2013.
Pré Requisitos:
  • Cursando ensino superior em Marketing, Comunicação, Administração ou afins com formatura prevista a partir de 2014
  • Inglês Avançado (será testado)
  • Excel Intermediário (será testado)
  • Disponibilidade para estagiar de segunda a sexta no turno da manhã/tarde
Funções a desempenhar:
Suporte nas pesquisas de mercado de patrocínio e de feiras; pesquisas sobre autores e livros internacionais; auxiliar na organização e arquivamento de material, elaboração e atualização de planilhas diversas; apoio à gerência no desenvolvimento de produtos para venda e no atendimento ao cliente; suporte nas atividades relacionadas aos planos de marketing e na revisão de conteúdos em geral; entre outros.
Se você se enquadra nos requisitos solicitados, clique aqui e se candidate à vaga.

Justiça recolhe livros eróticos em Macaé - RJ


O juiz Raphael Baddini de Queiroz Campos, da Segunda Vara de Família, da Infância, da Juventude e do Idoso de Macaé, Estado do Rio de Janeiro, determinou que todos os livros com conteúdo erótico que não estivessem em embalagem lacrada fossem retirados das prateleiras das livrarias.

A base para a decisão foi o artigo 78 do ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente, que determina que os livros com conteúdo erótico devem estar expostos em embalagens lacradas.

A decisão em si não preocupou tanto quanto a ação realizada na última segunda feira, 14 de janeiro, em que dois polícias e dois comissários da vara foram à livraria Nobel e a uma outra livraria cujo nome não foi divulgado e realizaram a apreensão dos livros.
Foto: https://www.facebook.com/LePMEditores?fref=ts
Foto: https://www.facebook.com/LePMEditores?fref=ts
Confesso que não sei bem o que pensar a respeito do assunto. Se, por um lado me revolta enormemente a censura, por outro também me preocupa um tantinho esse respeito exagerado que temos por livros. Hoje em dia quase qualquer coisa é permitida a qualquer um, desde que esteja escrita em um livro.

Foto: divulgação
Foto: Divulgação
Não defendo censura de nenhuma forma e acho a apreensão um abuso desmedido de poder mas, o fato em si não deixa de chamar a atenção para um problema. Afinal, as revistas de conteúdo erótico são lacradas e sua venda é exclusiva para maiores de idade. As locadoras de filmes têm sessões reservadas para filmes eróticos ou pornográficos e a televisão aberta é obrigada a informar a classificação indicativa de sua programação. Por que os livros estão imunes a toda essa vigilância?

Alguns vão argumentar que os livros em questão – sobretudo o atual sucesso de vendas 50 tons de cinza – não têm imagens; outros, eu já li em alguns blogs, vão dizer que o adolescente brasileiro é iletrado e nem tem a capacidade de entender o que está escrito; outros ainda, argumentam que em tempos de nudez na televisão aberta, recolher livros é hipocrisia; mas, a maioria, está no mesmo estado de espírito que eu: pasmo, sem saber o que dizer.

Duas coisas, na minha opinião, são absolutas nessa história: primeira, recolher os livros é um ato desnecessário, agressivo, e absurdamente fora de propósito; segunda, não faria nenhum mal tirar os livros de seus pedestais culturais e prestar mais atenção em seu conteúdo.

VI Concurso Crônica & Literatura da Assis Editora Prêmio Literário Martha Medeiros

 

A Assis Editora lança o Concurso Crônica e Literatura. A escritora homenageada deste ano é Martha Medeiros e o tema é Saudade.

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Cada escritor poderá concorrer com um único trabalho que poderá ser uma crônica ou uma poesia e o texto deve ser inédito.

 

Como se inscrever:

A inscrição custará R$-50,00, deve ser paga via depósito bancário, e pode ser feita de três formas:

1) Online: http://www.assiseditora.com.br/ficha-concurso.asp

2) Por e-mail: projetosculturais@assiseditora.com.br

3) Pelo correio

Envelope:

“VI CCr-Literatura Martha Medeiros”

DESTINATÁRIO: Assis Editora Ltda.
Rua José Antônio Teodoro, Bairro Aparecida, Uberlândia (MG). CEP: 38.400-772 Fone: (34) 3222-6033 .

 

Premiação:

O prêmio será um notebook para o vencedor de cada uma das duas categorias: crônica e poesia.

 

Regulamento:

O regulamento completo, bem como informações sobre pagamento,  você pode ver aqui.