Ler é um santo remédio

Deu na Folha de São Paulo: “médicos da Inglaterra vão prescrever livros, além de medicamentos, para pacientes com ansiedade e depressão.”

mens sana in corporre sano

Primeiro, foi a pesquisa encomendada pela rede de livrarias britânica, Border, que mostrou que ler emagrece; agora, médicos ingleses – em iniciativa apoiada pelo governo – resolveram mandar seus pacientes para a biblioteca a fim de tratar problemas de saúde mental leves e moderados.

No melhor estilo mens sana in corpore sano a entidade Reading Agency, apresentou pesquisas indicando que a leitura pode reduzir os níveis de estresse em até 67% e, ainda, reduz o risco de demência em mais de um terço.

Qualquer livro pode ser usado?

Não. A Reading Agency organizou uma lista com 30 títulos de livros inspiradores que promovem o bem estar do leitor e está aceitando sugestões de títulos para o projeto.

Entre os livros recomendados pela entidade estão O Jardim Secreto, de Frances Hodgson Burnett, e os livros de humor do escritor Bill Bryson.

Frances Hodgson BurnettBill BrysonBill Bryson

Leia matéria completa da Folha aqui.

A Sensitiva

asensitivaA Sensitiva é um daqueles romances despretensiosos que você lê pra passar um tempo e que, certamente, vale suas horas de descanso.

Pra começar, a história é ambientada na Inglaterra do século XVIII. Eu simplesmente AMO histórias ambientadas na Inglaterra do século XVIII por um motivo muito simples: os casamentos são arranjados.

Minha teoria é que, se você tem permissão e aprovação da sociedade pra dizer, sem vergonha e sem medo, que está se casando com uma pessoa só por causa do dinheiro ou de um título, isso significa que você vive em uma sociedade em que qualquer coisa pode ser dita em voz alta, o que, normalmente, rende diálogos deliciosos entre os personagens da trama.

Teoria mais do que comprovada em livros como Orgulho e Preconceito e Tom Jones. É claro que não estou comparando A Sensitiva com Orgulho e Preconceito. Só estou defendendo minha teoria sobre ambientação. No futuro, se tudo der certo, vou fazer um post bem detalhado sobre isso.

A Sensitiva conta a história de amor entre Penélope Wherlocke e Lorde Ashton. Ela, sem dinheiro, responsável por várias crianças abandonadas por seus tios, e que, apesar de ser filha de um marquês, vive isolada no porão da casa onde seus meio-irmãos moram e, ainda pode falar com os mortos; ele, dono de um título importante cuja família está falida devido às indiscrições do pai e que precisa se casar com um mulher rica.

A história é começa com o rapto de Penélope. Logo nas primeiras páginas o leitor fica sabendo que o rapto de Penélope foi encomendado. Seus raptores a deixaram em um bordel, onde ela foi drogada e amarrada a uma cama. Foi assim que Penélope encontrou lorde Ashton pela primeira vez.

Penélope foi resgatada por seus meninos antes de ser “deflorada” por Ashton que, quando descobre que ela está lá contra a vontade, faz de tudo para ajuda-la a sair do problema. Depois desse acontecimento, lorde Ashton mergulha no mundo diferente da família de Penélope, os Wherlocke, onde cada um tem um dom especial e sobrenatural: eles podem prever o futuro, curar doenças, aliviar a dor, e até mover objetos com o poder da mente.

A Sensitiva, conseguiu juntar a família Wherlocke e seus dons; o mistério que ronda o bordel para onde Penélope foi enviada; o fato de Penélope estar sendo roubada por seus meio-irmãos; o cavalheirismo de Ashton e de seus melhores amigos que resolvem deixar de lado a racionalidade e embarcar na aventura; o julgamento da alta sociedade inglesa do século XVIII; e o amor ardente entre Ashton e Penélope e o leitor tem um romance delicioso pra se ler.

A história tem muita ação e suspense, além de diálogos deliciosos. Destaque especial – em tempos de 50 Tons de Cinza – para as cenas picantes protagonizadas por Penélope e Ashton.

I Prêmio Varal do Brasil de Literatura

I Varal do Brasil de Literatura

A revista Varal do Brasil promove o I Prêmio Varal do Brasil de Literatura 2013. Poderão participar escritores maiores de 18 anos, brasileiros ou não, que escrevam em Língua Portuguesa.

Para o concurso serão consideradas três categorias: contos, crônicas e poemas, e o valor da inscrição para os Brasil é de R$-45,00.

As inscrições vão de 01 de fevereiro de 2013 até 30 de abril de 2013 e o resultado será divulgado na revista Varal do Brasil, em junho de 2013.

Regulamento completo aqui.

Para maiores informações e-mail para varaldobrasil@gmail.com.

Paulo Coelho não come cérebros

Na Margem do Rio Piedra Eu Sentei e Chorei: Resenha

Ler Paulo Coelho não é nada do que eu esperava.

Paulo Coelho

Quer dizer… eu não sei bem o que eu esperava mas, certamente, não o que li. A gente vive tão acostumado a escutar que Paulo Coelho não é um escritor de verdade, e que é uma degradação para o Brasil que alguém assim faça sucesso no exterior; etc. etc. etc, que depois de um tempo dá um medinho de ler.

Há muito tempo tá na moda odiar Paulo Coelho e, apesar de nunca ter feito parte da turma de haters, eu, tampouco, fiz algum esforço pra ler um de seus livros. Acho que, de algum modo, eu temia que, ao abrir um de seus livros eu fosse sugada por um vórtice  e escoada em algum universo paralelo em que meu cérebro ficasse com apenas trinta por cento de seu tamanho normal.

Então, quando me propus a realizar o experimento Paulo Coelho, escolhi dentre os títulos da minha biblioteca, aquele que me pareceu mais poético. O eleito foi Na Margem Do Rio Piedra Eu Sentei E Chorei. Então peguei o livro, sentei e li o primeiro parágrafo:

“Na margem do Rio Piedra eu sentei e chorei. Conta a lenda que tudo que cai nas águas deste rio – as folhas, os insetos, as penas das aves – se transforma nas pedras do seu leito. Ah, quem dera eu pudesse arrancar o coração do meu peito e atirá-lo na correnteza, e então não haveria mais dor, nem saudade, nem lembranças.”

Meu primeiro pensamento foi: “Isso não é ruim!” Então relaxei e li o resto do livro.

O Livro (Aviso: contém spoilers)

Na Margem Do Rio Piedra Eu Sentei E ChoreiNa Margem Do Rio Piedra Eu Sentei E Chorei conta a história de Pilar. Pilar é uma moça simples que viveu seu grande amor ainda na infância. Um dia seu grande amor decidiu que precisava ver mais do mundo e partiu atrás de um futuro melhor deixando pra trás uma Pilar amargurada e cínica.

Com o tempo, Pilar resolveu se conformar com sua vida na cidade em que estava. Sua intenção era prestar concurso público, um dia encontrar um homem decente e se casar e construir uma família. Sem grandes emoções, sem grandes surpresas. Até que seu grande amor pediu para vê-la.

O rapaz, cujo nome nunca foi mencionado na história, havia se tornado um seminarista mas, na verdade, nunca tinha esquecido o quanto era apaixonado por Pilar e precisava de um tempo para decidir qual vida queria seguir: se a vida religiosa, ou a vida de homem casado, com uma família.

A história leva a um passeio interessante na religiosidade católica, com uma pegada na ramificação carismática da igreja – aquela mais focada nos dons do Espírito Santo. O próprio seminarista tem o dom da cura e opera muitos milagres no decorrer da história. Há também um padre que lê pensamentos e uma teoria bastante interessante sobre a face feminina de Deus que, pra falar a verdade, eu queria ter lido mais a respeito na história.

Enquanto mergulhava no mundo religioso e cheio de milagres do seminarista, Pilar percebeu o quanto o mundo era grande. Muito maior do que ela enxergava de dentro de sua vida e o quanto seu amor havia conquistado e queria fazer parte daquilo, daquela grandeza. Ao mesmo tempo, o seminarista decidiu que queria ficar com Pilar, abriu mão de seus dons, e resolveu que iria voltar pra sua cidade natal e enquanto Pilar retomava seu antigo emprego ele ia tentar tocar uma vida pacata e normal.

Seria muito desaforo aqui eu contar o final da história, por isso, não vou fazê-lo mas, pra mim, foi interessante porque deixou para o leitor a missão de interpretar aquele final com base no caráter da personagem Pilar. Me fez pensar.

Conclusão

Paulo Coelho não morde. Quem já lê, continue lendo. Quem nunca leu, não vai te fazer mal tentar.

Vai mudar sua vida? Não. Mas pode expandir sua mente pra novos horizontes com menos véus de preconceito.

Eu, agora, já vou começar a olhar como alternativa, a estante onde estão os livros de Paulo Coelho. Me bateu até uma certa curiosidade sobre O Alquimista, que foi quem elevou Paulo Coelho a categoria de “Pop-Star-Literário-Que-Todos-Amam-Odiar” mas, como não tenho O Alquimista à mão eu vou ou de A Bruxa de Portobello (tem um mamilo na capa ahahahahahahaha) ou de O Demônio e a Srta. Prym (o título me parece bem promissor).

Que, no futuro, possamos odiar menos e ler mais.

 

+ Paulo Coelho: Minha última grande fronteira

I Concurso de Minicontos Autores S/A ~ Autores S/A: Concursos Literários

Bom dia, Autores!!

O final de semana começa com uma boa notícia pra quem escreve. O blog Autores S/A, em parceria com a Editora Penalux, lançou ontem, dia 15, o I Concurso de Minicontos do blog.


As inscrições vão até dia 20 de março de 2013, é gratuita e serão aceitos textos com, no máximo, 150 palavras.

No link, regulamento e ficha de inscrição.

I Concurso de Minicontos Autores S/A ~ Autores S/A: Concursos Literários

A Sombra do Vento

A Sombra do VentoJá disse, aqui no blog, que todo escritor é um criador de mundos e que toda história merece ser lida. Cada história é um mundo que visitamos, um lugar pra onde viajamos.

Alguns desses mundos viram apenas fotos em um álbum; alguns desses mundos nos mantém felizes e, enquanto estamos neles não queremos sair; e, outros mundos tocam nossa alma e acendem alguma coisa em nosso coração que nos faz carregar aquele pedacinho de mundo pra sempre dentro de nós mesmos.

A Sombra do Vento de Carlos Ruiz Zafón faz parte do último tipo de mundo. É um mundo em que a gente mergulha e não que voltar à tona.

Tenho o prazer de ter lido muitas histórias nessa minha vida, mas, foram poucas as que realmente tocaram minha alma a ponto de eu poder dizer que vão fazer parte de mim por muito tempo.A Sombra do Ventro Página 21

A Sombra do Vento é uma história que vai te conquistando devagar. Não é aquele assombro desde o primeiro parágrafo, como acontece com alguns livros. O texto é sim encantador desde o começo mas é pelo seu ritmo. O modo como as palavras se sucedem no papel tem uma cadência deliciosa e a leitura vira um prazer porque é claro como o dia que quem escreveu sabia o que estava fazendo, e o fez muito bem. Neste ponto quero falar sobre a importância da tradução. É claro que Zafón é um escritor primoroso que criou uma história muito boa mas, neste caso, também foi primoroso o trabalho de tradução de Marcia Ribas porque foi o texto dela que li e não o original do escritor espanhol.

A História

A Sombra do Ventro Página 47A Sombra do Vento conta a história de Daniel Sempere e sua busca por Julian Carax, o fictício autor de um livro chamado A Sombra do Vento.

Daniel perdeu sua mãe durante a guerra civil na Barcelona de 1945. Uma noite, Daniel acordou gritando porque se dera conta de que não lembrava do rosto de sua mãe. O pai, a fim de consola-lo ou distraí-lo lhe contou sobre o Cemitério dos Livros Esquecidos onde o menino encontrou o livro de Carax.

Daniel ficou tão apaixonado pela história que procurou outros títulos do autor. Não conseguiu ler outros títulos mas encontrou alguns mistérios e, durante sua busca pelo homem tão misterioso capaz de criar tão apaixonante história, Daniel conheceu o primeiro amor ainda criança e ele veio na forma de uma mulher mais velha e completamente cega.

O menino Daniel se transformou em homem durante a busca e seu viu preso em uma teia de mistérios que envolve perseguições, sequestros e assassinatos e, a história que começou como um tocante caso de criança triste por causa da perda da mãe vira um suspense fantástico como ramificações imprevisíveis.

Uma frustraçãoA Sombra do Ventro Página 212

Quando eu terminei de ler A Sombra do Vento me peguei pensando no que tinha lido na orelha da capa e na contracapa do livro procurando por pistas que me contassem logo de cara o quanto o livro que eu tinha acabado de ler era fantástico. Não não encontrei nenhuma e me perguntei: como é que conseguiram esconder todo o brilho da história? Nenhuma pessoa que leia aquela orelha imagina a grande história que se descortina nas páginas.

Mas o fato é que, enquanto pensava na resenha, eu tive que me conformar com isso porque não há maneira de tentar transmitir o tamanho do fascínio que a história de Zafón causa sem contar demais sobre a história, sem encher o leitor de spoilers que podem ser indesejáveis, sem revelar partes importantes de trama e que são fundamentais para manter o leitor preso às páginas do livro. Enfim, seja quem for que escreveu a orelha, fez um bom trabalho.

Por isso, aqui na minha imobilidade, tudo o que posso dizer pra defender a história de Zafón é: LEIAM. Sim, em caixa alta.

 

Considerações Pessoais

A Sombra do Ventro Página 259A Sombra do Vento foi revelador pra mim com relação ao universo masculino. Nós mulheres gostamos de grandes gestos. Seja no amor ou na amizade. Precisamos das lágrimas, dos abraços, dos “eu te amo”.  Cultivamos nossas amizades com palavras e ligações telefônicas e elogios. 

Zafón me mostrou um pouco desse mundo macho onde as coisas acontecem naturalmente, uma em consequência da outra, sem grandes demonstrações externas. As emoções borbulham por dentro de Daniel mas suas ações na maior parte do tempo são contidas mesmo que cheias de amor.

O amor aliás é um elemento muito presente na história e, perde apenas para a loucura. De fato, eu nunca vi tantos personagens malucos em uma trama. Há todo tipo de psicopatia nessa história. Sério.

Além disso, o autor teve o capricho de apresentar cada personagem da trama como se ele fosse o mais importante da história. Cada personagem é apresentado e tem nome, sobrenome, e personalidade. Outra coisa fantástica no livro é que não há um único evento iniciado que não tenha tido seu final na história. E, como cada evento criado acaba virando um mistério, aconteceu de o livro ter muitos finais o que foi ao mesmo tempo delicioso e torturante.

Enfim, esta resenha está ficando enorme por isso só vou deixar dois avisos:

Primeiro: Leiam o livro, é realmente muito bom.

Segundo: Se você estiver começando a penetrar o bom mundo da leitura ou se tiver um vocabulário limitado é altamente recomendável que o faça com um dicionário por perto.

A boa notícia é que faremos um especial Dicionário Voraz com as palavras mais deliciosas de A Sombra do Vento.

Volta pra ler Smiley piscando

Voltamos!!!!

Bom dia, Leitores Vorazes. 


Estamos de volta

Peço desculpas pela pequena ausência. Ela foi necessária para resolver alguns problemas pessoais, agravados pelos feriados do carnaval mas hoje voltamos a pleno vapor.

Estou revisando duas resenhas que escrevi ontem (A Sombra do Vento e A Sensitiva) e tem também o resultado da minha experiência com Paulo Coelho e novos concursos no horizonte pra quem gosta de escrever.

Nos falamos mais tarde.

Ascensão do Poeta

Alphonsus de Guimaraens

O poeta deve ter dentro da alma estrelada
Uma deusa que o embale e acarinhe e adormeça:
É a ilusão que lhe vem aureolar a cabeça,
Suavizando-lhe a dor com os seus dedos de fada.


Quer surja a aurora, quer por entre as sombras desça
A noite, haja o clamor da vida, ou a paz sagrada
Da morte, — ela que é a fonte, o bem, a bem-amada,
Dá que a palma estival do sonho resplandeça.


E o mundo, que é o sinistro ergástulo de treva,
Transforma-se na irial mansão donde se eleva
A prece que há de um dia aos pés de Deus chegar...


E aos astros de tal modo o Poeta ascende em calma,
Que o céu fica menor do que o azul da sua alma,
E nem cabe no céu a luz do seu olhar...

ALPHONSUS DE GUIMARAENS