(Resenha) Orgasmos Fatais

Orgamos Fatais, candidato ao Codex de Ouro 2013 na categoria suspense,  é um romance delicioso. Fernanda Borges, em seu primeiro livro, já mostra a que veio.

OrgamosFataisMary Alves encontra sua filha, Mariana, agonizando no sofá da sala depois de levar várias facadas no tórax. Desesperada, Mary gritou por ajuda mas, somente teve tempo de escutar as últimas palavras da filha: “Foi ela, foi ela.”.

Durante a investigação desse assassinato, o Inspetor Dougas, designado para investigar o caso, acaba conhecendo Daniela.

Daniela é linda, loura, poderosa e policial civil também – como Douglas. A partir desse ponto, Douglas trava uma batalha com ele mesmo: uma parte dele quer Daniela e por isso precisa acreditar que ela é inocente; outra parte, a profissional, sabe que se envolver com um suspeito é altamente errado.

Partindo dessa atração que policial e suspeita têm um pelo outro, uma série de acontecimentos se desenrola e a trama fica muito, muito interessante. De fato, em certos momentos fica muito difícil de saber quem é bom ou mau, quem cumpre a lei e quem não. Certo e errado se enredam de tal maneira que fica difícil saber quando acaba um e começa outro.

O que o livro tem de bom:

  • A trama é muito bem pensada e a escritora domina a técnica de fazer suspense. Sabe exatamente a hora em que deve mudar de assunto pra manter o leitor curioso sobre o desenrolar de um evento.
  • Os diálogos são rápidos, e muito bem escritos.

O que não é tão bom:

A narrativa poderia ser mais coloquial.

O uso de palavras como genitora ao invés de mãe e de expressões como “a(o) mesma(o)”  ou “este(a)” pra se referir a um sujeito comprometem a narrativa e dão a impressão, ao leitor, de que se está lendo um B.O.ou uma daquelas declarações feitas em cartório.

Pra quem nunca leu um B.O. vou dar um exemplo do que digo com um trecho da página 50 do livro: “… disse ele, dando um sorriso simpático para Daniela. Esta permanecia aparentemente calma…”

O que esperar do livro:

A trama é realmente muito boa, e cheia de reviravoltas. O texto tem alguns problemas de revisão e de diagramação, coisa muito comum em produções independentes mas nada que prejudique o andamento da história.

Eu mesma já peguei absurdos como “chícara” e “sinto de segurança” em publicações da Suma de Letras e da Intrinseca então, pessoalmente, acho que Orgasmos Fatais mandou muito bem.

A ambiguidade ou dualidade dos personagens também me agradou muito. Sobretudo com relação ao herói da história. Douglas não é aquele homem perfeito, profissional irrepreensível que alguns autores teriam apresentado. É um homem tão cheio de defeitos quanto de virtudes. De fato, em alguns capítulos eu me peguei questionando o caráter e o profissionalismo dele. É um anti-herói.

O texto também carrega duras críticas ao sistema de comando e ao funcionamento organizacional da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Pareceu que, às vezes, pra um crime ser resolvido, é preciso um cavaleiro solitário que se disponha a trabalhar sem apoio e sem suporte.

Vale a pena ler Orgasmos Fatais?

A gente aqui no LeVo lê de tudo, sem preconceito e, quem já leu a sessão Quem Somos do blog lembra que pra gente, não existe livro bom ou ruim. O que gostamos mesmo é de uma boa história.

Mas, é claro, que temos nossos julgamentos pessoais, e eu tenho um método muito particular pra decidir se eu acho um livro bom ou não.

Pra mim, um livro é bom quando: ou eu sonho com a história dele, mesmo que seja acordada; ou eu não consigo parar de ler até ver o final.

Orgasmos Fatais entrou na minha pele antes do fim do segundo capítulo. Esse foi o tempo que eu precisei pra me acostumar com o estilo da narrativa e mergulhar de cabeça na história. Depois disso, só sosseguei quando cheguei ao final da história.

Dica do LeVo: a autora Fernanda Borges está no Facebook , por isso, aconselhamos fortemente aos interessados manter contato antes que ela fique famosa. A gente por aqui tem certeza que, com um bom editor, essa mulher vai dar muito o que falar ainda.